6.6.11

O ronco

Quando eu olhei pro lado ela tava roncando.
Juro!
Pense numa mulher linda.
Uma beldade.
Corpo perfeito.
Humor único.
Sabe aquela pessoa que você quer ter ao seu lado o tempo todo?!
Então...
Ela tava roncando!
Ronco mesmo!
Grosso.
Rude.

Eu achei bonito. Até.
Um charme.

Tendenciosamente, tenho a mania de endeusar a mulher.

Foi bom ouvir seu ronco.
Oriundo de uma provisória gripe típica de outono.
Foi bom.

Gosto dela mesmo assim.
Com ordens e roncos.
Sim, ela dá ordens.
E ronca.

Amém!


2.6.11

Amar é tipo comprar um All Star novo: não tiro do pé.
E o outro da alma.
Pelo menos pra mim.

40 minutos: sem pontos, nem vírgulas

Saí da Rua da Consolação do lado do Jardins entrei na Alameda Santos bem na esquina tem um bar onde o pessoal tava terminando de assistir o jogo do Santos e duas meninas tavam cantando uma música do pessoal do Clube da Esquina não sei quem era tipo um Flávio Venturini e lembrei que não gosto deles continuei andando e entrei na Rua Bela Cintra e atravessei a rua fora da faixa coisa que não se dever fazer pela primeira vez reparei que tinha um ponto de ônibus ali um rapaz desceu e começou a correr em direção à Avenida Paulista mas antes ele deu uma tropeçada mas não parou cheguei na Avenida Paulista e entrei à direita não gosto dessas novas luzes brancas da avenida e lembrei que não gosto de luzes brancas e lembrei também que troquei todas as luzes brancas da minha casa por luzes amarelas deixam o ambiente mais feliz e antes de entrar na Rua Augusta sentido centro um cara me ofereceu um panfleto ele era cabeludo e tinha uns 50 anos e reparei no panfleto que tinha um logo do Teatro Tuca e lembrei que fiquei em cartaz lá a essa hora eu já estava descendo a Rua Augusta passei em frente ao Sarajevo que é uma balada de um amigo meu e reparei que não tem nenhuma identificação na porta pensei como ele consegue sobreviver com uma balada que não tem identificação mas consegue e eu acho isso do caralho continuei descendo e fechei mais um botão do meu casaco que eu gosto bastante e lembrei que eu comprei em Berlim e fiquei feliz de lembrar da viagem que fiz ano passado alguém me pediu uma grana também em algum momento e continuei descendo porque eu moro lá no começo da rua passei em frente a todos os puteiros Vegas e tal e tinha uma viatura da CET colocando uma placa na faixa de pedestres dizendo espere o sinal verde pedestre mas achei melhor atravessar assim mesmo porque o farol tava quebrado nem verde nem vermelho senão ia ficar o tempo todo lá nessa altura eu já estava na rua de casa quando vi um rato a uns 5 metros na minha frente correndo em direção ao bueiro e pensei como deve ter ratos no subterrâneo da cidade tinha uns pedreiros trabalhando na obra ao lado de casa e já era mais de meia-noite então cheguei em frente ao prédio cumprimentei o porteiro que é amigo e disse que ia dormir subi sentei na mesa abri o computador e comecei a escrever tudo isso sem ponto nem vírgula porque nesses quase 40 minutos andando até em casa a cada ponto final a cada pensamento a cada virgula eu pensava nela e continuo pensando pensando que não devia deixá-la mas ficar perto dela.
Eu penso nela o tempo todo.
Sem pontos.
Nem vírgulas.

Estabanado.


Mas me fala de você.
Quando ama fica estabanado?
Tenta fazer certo e faz errado?
Você se sente como um personagem do Woody Allen?
Sente que não é suficiente?
Sente que o outro não sente como você?
Sente que tudo pode dar errado?

Me fala de você.
Quando ama dá frio na barriga?
O olho lacrimeja de felicidade?
Diz toda a verdade?
Quer proteger a qualquer custo?
Custe o que custar?
Se assusta de tanto amar?
E fica pensando em não errar?

Fala de você.
Onde você tava?
Onde você tava todo esse tempo?
Não hoje.
Nos últimos dias.
Meses. Anos.
Onde você tava?
Fala.
Me explica porque você me deixa estabanado?




26.5.11

Olhos esbugalhados e vermelhos dão sono.

Miojo e lágrimas.

Então, ele começou a chorar em cima do miojo.
Suas lágrimas começaram a se misturar à água fervendo.
Suas lágrimas ferviam junto àquela massa instântanea.
Tudo porque ela havia dito que "seguia o sol da cidade à procurá-lo."
Havia tempo não ouvia nada parecido.
Algo tão bonito.
Tudo bem! Ela emprestara de uma canção de um compositor famoso.
Mas pouco importava.

Outros versos se sucederam:
"Eu bem sei onde tudo vai parar..."
Ou: "Trago nesses pés o vento pra te carregar daqui..."
E mais lágrimas inundaram o miojo.

Ele só pensava em fazê-la feliz.
Daria toda sua felicidade pra ela - se fosse possível!
Viveria como um poeta do seçulo 19: com tuberculose e escrevendo sobre as dores do mundo.
Tudo pra vê-la com um sorriso eterno.

Não! Ela não foi embora!
Ela disse que só foi ali e já volta.

Mas entre idas e vindas, ele derruba lágrimas no miojo com medo que ela não volte.

Ela oferece versos bonitos.
Ele, macarrão com lágrimas.
E juntos escrevem uma história.

À propósito: o jantar está na mesa.





19.5.11

Medida.

O difícil é encontrar a medida.
Por que é assim:
Quando você vai muito é muito.
Quando vai menos é menos.
Se vai mais ou menos é mais ou menos.
E essas equações devem conjuminar com as outras equações que vem do outro lado.

Explico:
Se você vai muito e a outra pessoa vai menos é pressão.
Se você vai menos e a outra pessoa vai menos não dá em lugar nenhum.
Se você vai menos e a outra pessoa vai mais é desatenção.
Se você vai muito e a outra pessoa também é divisão de aluguel.
Se você fica no mais ou menos e a outra pessoa também é tudo mais ou menos mesmo.
E ainda tem as pequenas nuances entres esses mais e menos.

Fica complicado.
Tô achando que não tem medida mesmo.
Nunca vai ter.
O lance é relaxar, alugar um filme e fazer uma massa.

Em tempo: o molho? Tempere a gosto. Sem medida.



14.5.11

Prazer, meu nome é Saul

Confesso que aconteceu há muito tempo. Não me lembro a data exata porque as datas me fogem.

Mas faz tempo que quis Maria. Desde a primeira vez que a vi.

Maria tem um jeito de andar, meio frágil, inigualável. Me lembro que tive vontade de dar colo, tamanha fragilidade.

Espiava ela de longe. Tinha um pouco de medo. Afinal, a timidez é minha sombra.

Mas gostava de espia-la.

Sonhava um dia colocá-la no meu colo.

Um dia sonhei que tava numa colina íngrime. Estava no alto dela. Maria passeava procurando alguma coisa no chão. Não me importava o que era. Me importava contempla-la.

No corte seco do sonho, ela estava deitada em meu colo. Nós dois na colina. Eu mexendo em sua cabeça. Ela adormecida. Esse foi um sonho.

Na realidade, sempre achara impossível a concretização desse sonho. Maria parecia inatingível. Intocável. Inatingível.

Então, descobri que acabara de chegar um forasteiro na cidade que havia cortejado Maria quando ela passeara no estrangeiro. Um estrangeiro?

- O que eles tem demais ou a mais, Saul?! - me disse um amigo.

Perdão, esqueci de me apresentar. Meu nome é Saul.

É um nome bíblico mas não sou religioso. Talvez espirituoso.

Não sei a magia que tem um estrangeiro.

Mas respeitei Maria e deixei de espia-la.

Fugi de seus olhares.

Evitei seu cheiro.

Transformei Maria numa amiga querida.

E se passaram longos meses...

Até que o estrangeiro foi embora.

Continua...

2.5.11

Algumas considerações

1. Sim, tenho pressa. Estou prestes à completar 36 anos. Se eu tiver um infarto será fuminante. E não terei conhecido a Disney, por exemplo.
2. Não, não tenho pressa. Gosto de olhar pros lados, pra cima, pra baixo. Saber onde tô pisando. Devagar e sempre. Para o alto e avante. Dentro e fora. Ops, isso é outra coisa.

Continua.

Então...

Sabe quando você vê um brigadeiro e tem vontade de levar de presente?
Sabe quando você quer ligar pra saber a opinião?
Sabe quando faz falta?
Quando a simples presença é suficiente?
Então...

24.3.11

Te dou meus anjos
































Te mando meus anjos porque não preciso muito deles aqui.
Eles farão um serviço melhor cuidando de você.
Eu tô velho.
Os velhos não precisam de anjos.
Te dou os meus.
Quero que você seja escoltada nos seus sonhos.
Protegida dos pesadelos.
Cortejada em seu sono.
Quero que se sinta bem no backstage.
Eles vão te proteger.
Eu sei.
Eles são bons.
Te dou meus anjos.
Quero que eles te protejam.
Te mando meus anjos.
E que alguém me proteja.

16.3.11

Exercício de paciência

O foda é ter que esperar:

o ônibus.
a fila.
o amor.
o filho.
o salário.
a boa vontade do zelador.
o semáforo.
o lanche.
o download.
a paixão.
o telefonema.
a próxima vez.
o crédito.
o débito.
o táxi.
as desculpas.
a bronca.
a atendente da telefônica.
a audiência.
o jogo.
a boa vontade.
o trem.
o pior.
a chuva.
o futuro.
o lance do consórcio.
a bola na área.
a virada.
a música.
Godot.
a morte.
a sorte.
a carona.
o elevador.
o atrasado.
o reembolso.
o próximo ponto chegar.
a verdade.
o boleto chegar.
a próxima valsa.
o beijo.
um beijo.
o próximo beijo.
algum beijo.
por nada.

Haja paciência.



23.1.11

Lapso.

Sabe o que eu tava pensando?!
Esqueci.

A volta

Volto sim.
Eu sempre volto.
Vira e mexe eu vou.
Vira e mexe eu volto.
Só volta quem vai.

Um dia, quis muito alguém.
Pra que esse alguém fosse.
Pra sentir o quentinho da volta.

Mas ninguém veio.

Mas eu voltei.
Com Roberto no Ipod.
Sem cachorro latindo.
Sem portão.
Uma volta simples.

Ainda esperando alguém chegar.

24.12.10

Gosto tanto de encontrar palavras entre aspas.
Elas me dão uma certa imunidade.
Mas não encontrei nada que traduza o que eu tô sentindo.
Nada entre aspas.
Vou dormir sem elas.

31.10.10

a votar NULO mas mudei de idéia. Preferi me ausentar. Não me dei o trabalho de sair de casa para dizer que estou insatisfeito com a qualidade dos nossos candidatos. Me preocupo com o futuro do meu país. Me ausentando, eu pago uma multa de cerca de 4 reais.
Somando o total de eleitores faltosos, seguindo as estimativas do segundo turno - que projeta abstenção recorde de 22% - temo aí algo em torno de 28.000.000 de eleitores. Colocando em cifras temos algo próximo de R$ 112.000.000,00 para os cofres da UNIÃO.
Ou seja, fico em casa, não me estresso, respeito minha vontade e coloco meu dinheiro na mãos do próximo governante, que espero, na maior sinceridade, que faça bom proveito e que faça eu mudar de idéia sobre sua competência em comandar nosso país. E tenho dito.

Justifico meu NÃO-VOTO

Ia votar NULO mas mudei de idéia. Preferi me ausentar. Não me dei o trabalho de sair de casa para dizer que estou insatisfeito com a qualidade dos nossos candidatos. Me preocupo com o futuro do meu país. Me ausentando, eu pago uma multa de cerca de 4 reais.
Somando o total de eleitores faltosos, seguindo as estimativas do segundo turno - que projeta abstenção recorde de 22% - temo aí algo em torno de 28.000.000 de eleitores. Colocando em cifras temos algo próximo de R$ 112.000.000,00 para os cofres da UNIÃO.
Ou seja, fico em casa, não me estresso, respeito minha vontade e coloco meu dinheiro na mãos do próximo governante, que espero, na maior sinceridade, que faça bom proveito e que faça eu mudar de idéia sobre sua competência em comandar nosso país. E tenho dito.

18.10.10

Então te digo adeus.

Só com um tchau mesmo.
Nada mais.

E eu...

Que sempre fui lento, agora preciso parar.
Sempre estive por aí e agora preciso ficar.
Que nunca consegui dizer mas preciso falar.
Que um dia amei e nem lembro como faz.
E eu que um dia corri e preciso voltar.
Que um dia sonhei mas não consigo lembrar.
Que um dia tentei mas não consigo tentar.


5.10.10

Duvido.

Quando eu era pequeno, se qualquer um dissesse "Duvido!" na escola, automaticamente ouvia-se: "Duvido sai cera".
Pequeno trocadilho de crianças.
Hoje eu sei que DUVIDO sai da boca.
E sempre duvidam.
As pessoas duvidam.
Ou porque acreditam ou porque não acreditam.
Dúvida tem a ver com crença.
Ou descrença.
Dúvida não é tiro no escuro. É tiro num alvo móvel.
Dúvida é medo.

Mas dúvida pode ser graça.
Pode ser brincadeira.
Dúvida pode ser um mistério gostoso.
Pode ser a chave pra se conseguir um beijo ou pra arrancar um sorriso.
Dúvida é muita coisa.
E também não é nada.

Sinceramente?
Tô em dúvida sobre o que eu quero dizer.

22.9.10

Talvez um dia.

Queria muito voltar a escrever aqui.
Mas minha cabeça anda com tantas frases curtas...
Tantos pensamentos tortos...
Acho que nunca mais vou desenvolver idéias com mais de 140 caracteres.
Meu cérebro se limitou a pensar muitas coisas ao mesmo tempo.
Sem profundidade.
Minha cabeça que era densa, agora é rasa.
Tudo que penso, penso em pequenas frases.
Pequenos alforismos.
Ando muito conciso e pouco profundo.
Talvez um dia volte.
Talvez pegue esses pequenos retalhos de idéias e construa algo substancial.
Talvez um dia.

6.8.10

Cá entre nós

Te desejo o melhor e o pior.
Porque o melhor já te dei.
E o pior não mata.
Te desejo o fácil e o difícil.
Porque o fácil é natural pra você.
E o difícil faz evoluir, entende?
Te desejo, também, o bom e ruim.
Porque o bom é mamão com açúcar.
E o ruim só existe pra gente saber que o mamão é bom.
Te desejo de tudo um pouco.
E um pouco de nada também.
Porque a vida é um pouco de silêncio, às vezes.
Te desejo o que eu nunca desejei.
Que é ruim, eu sei.
Mas que é bom também.

19.7.10

Por mais que voce me odeie, te guardo no lugar mais especial que eu tenho.
Por mais que voce nao queira ouvir meu nome, eu rezo pro seu todos os dias.
Por mais que dois oceanos nos separem, todos nao lavam minha culpa.
Por mais que vc tente me esquecer, eu lembro do seu rosto todo dia.
Por mais que o teclado nao tenha acento, eu escrevo mesmo assim.
Por mais que tudo, mais que nada...

18.7.10

Talvez?

Qual o tamanho do que a gente sente?
Tem tamanho?
Ou tem cor?
Sabor, talvez?
Tem textura?
O que e' que a gente sente?
Quanto tempo dura?
Como se fala sobre o que a gente sente?
Deve-se falar?
Ou deve-se sentir o que se sente?
E quando teclado nao tem acento?
o que a gente faz?

13.7.10

Travado.
Bloqueado.
Encarcerado.
Impedido.
Lacrado.
Fechado.
Restrito.
Cercado.
Acuado.
Autuado.

9.6.10

A gente esquece de umas coisas na vida.
Vira e mexe esqueço do meu blog.
Um espaço tão importante.
Prometo melhorar.
Tô começando uma nova fase.